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Lei Permite Inventários, Separações e Divórcios Extrajudiciais
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| Simão
Resolve |
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EXAME
DE ORDEM 122
Testes de direito civil resolvidos pelo Professor Simão
OAB - SP 12/2003
| Teste
01 – Função social da propriedade, mandato,
comistão e incapacidades. |
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Assinale a alternativa falsa:
a) A posse-trabalho, para atender ao princípio
da função social da propriedade, reduz o prazo
da usucapião extraordinária de 15 para 10
anos e da ordinária, de 10 para 5 anos, em se tratando
de bem imóvel.
Comentário: texto
expresso de lei – Art. 1238 caput e parágrafo
único do novo Código Civil.
b) O mandatário, ao aceitar o encargo,
passará a ter o direito de pedir ao mandante que
adiante a importância das despesas necessárias
à execução do mandato.
Comentário: texto
expresso de lei – Art. 675 do novo Código Civil.
c) Se a mistura de coisas pertencentes
a pessoas diversas for involuntária, sendo uma delas
a principal, cada proprietário continuará
a ter o domínio sobre o mesmo bem que lhe pertencia
antes da mistura.
Comentário: A assertiva
é falsa, pois estamos diante de uma das formas de
aquisição da propriedade móvel. Comistão:
mistura de coisas sólidas ou secas. Adjunção:
justaposição de uma coisa a outra. Confusão:
mistura de coisas líquidas.
Em não sendo possível a
separação das coisas, cada proprietário
fica dono de um quinhão proporcional ao valor da
coisa, salvo se uma delas for considerada principal. Nessa
hipótese, o dono do principal será o dono
do todo e indenizará o dono da outra coisa (art.
1272). Há a perda do domínio.
d) O portador de demência arterioesclerótica
é considerado, havendo interdição,
como absolutamente incapaz, devendo ser representado por
um curador.
Comentário:
O teste supõe que o portador de arterioesclerose
(doença que geralmente decorre da idade) é
enfermo e não tem necessário discernimento
para os atos da vida civil, sendo, portanto, absolutamente
incapaz (art. 3º, II). A alternativa poderia induzir
o aluno a erro se imaginarmos que nem toda a pessoa com
a doença perde a capacidade civil. Mas o termo demência
indicaria tal condição.
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| Teste
04 – Revogação da doação
por ingratidão |
O prazo para revogar a doação
por ingratidão é:
a) decadencial de um ano, contado do conhecimento
do fato pelo próprio doador.
b) prescricional de 4 anos, contado da ciência
do fato.
c) decadencial de 2 anos, a partir da data da prática
dos atos ofensivos.
d) prescricional de 5 anos, contado do dia em que o doador
soube da ingratidão.
Comentários
O aluno aumentaria sua chance de acertos se soubesse
que, por se tratar de revogação, estamos
diante de uma tutela desconstitutiva (constitutiva negativa)
e, portanto, o prazo é de decadência e não
de prescrição. Para sabe que o prazo é
de um ano, contado da ciência do fato, necessário
seria conhecer a expressa dicção do artigo
559.
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| Teste
05 - Fideicomisso |
Na substituição fideicomissária,
o fiduciário terá o direito
de
a) prestar caução de restituir os bens
fideicomitidos, se lhe exigir o fideicomissário
b) indenizar as benfeitorias úteis e necessárias
que aumentarem o valor da coisa fideicomitida;
c) ter a propriedade restrita e resolúvel
da herança ou do legado.
d) proceder ao inventários dos bens fideicomitidos.
Comentários:
O presente teste pode ser resolvido com base na lógica,
ainda que o aluno desconheça o conceito de fideicomisso,
pois as alternativas “a”, “b”
e “d” não trazem direitos
e sim deveres (ônus).
Prestar caução, indenizar e proceder ao
inventário são deveres de alguém
e não direitos. O único direito é
o previsto na alternativa C.
O fiduciário recebe a herança para que
esta seja transmitida ao fideicomissário (prole
futura). Assim, a propriedade do fiduciário é
resolúvel.
Alternativa correta: C.
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| Teste 06 - Participação
final nos aqüestos. |
No regime de participação final dos aqüestos:
a) se um dos cônjuges vier a pagar débito
do outro, utilizando bens de seu patrimônio, o valor
desse pagamento, sem atualização monetária,
deverá ser imputado na data da dissolução
do casamento à meação do outro consorte.
b) há presunção juris et de
jure de que os bens móveis foram adquiridos
durante o casamento.
c) se não houver convenção
antenupcial admitindo a livre disposição
dos bens imóveis particulares, nenhum dos cônjuges
poderá aliená-los sem a anuência do
outro.
d) o cônjuge pode renunciar e ceder o seu direito
à meação durante a vigência
desse regime matrimonial de bens.
Comentários
O regime cujo teste se baseia é novo e ainda muito
controvertido, em razão das inúmeras regras
que nem sempre são claras e evidentes.
A participação é NOS aqüestos
e nãos DOS aqüestos. Isso pode parecer bobagem,
mas altera a idéia do regime: findo o casamento,
calculam-se os aqüestos (bens adquiridos a título
oneroso na constância do casamento) e os cônjuges
deverão ficar com aqüestos no mesmo valor,
ainda que seja necessária a venda de certos bens
para a reposição me dinheiro. Não
haverá comunhão dos aqüestos, mas participação
nos aqüestos.
Por que as alternativas a,b e d estão
erradas?
a) O valor das dívidas que um cônjuge pagou
pelo outro DEVEM ser corrigidas. Artigo 1678. Se o valor
fosse histórico (sem correção monetária)
haveria enriquecimento se causa em razão da inflação.
b) As coisas móveis presumem-se do domínio
do cônjuge devedor, salvo se for de uso pessoal
do outro. Ora, se há uma presunção,
mas a própria lei admite prova em sentido contrário,
a presunção é simples (juris tantum)
e não de direito (juris et de jure).
c) O cônjuge não pode ceder ou renunciar
a sua meação por força do artigo
1682.
O novo Código Civil admite (apenas para o regime
da participação final nos aqüestos)
que o pacto antenupcial dispense a vênia conjugal
dos bens particulares (art. 1656).
Portanto, no caso em tela, a alternativa correta
é a C.
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| Teste 07 – Testemunha do negócio
jurídico |
É absolutamente incapaz para atuar como testemunha
testamentária:
a) o cego;
b) o testamenteiro;
c) o funcionário do cartório em que se lavra
a disposição de última vontade;
d) o estrangeiro.
Comentários
O teste não exige conhecimento jurídico
do aluno, mas simples DECOREBA!
O testamento é espécie do gênero
negócio jurídico. O contrato também
é espécie do mesmo gênero.
Basta a leitura do artigo 228 do novo Código Civil
que dispõe o seguinte: não podem ser admitidos
como testemunhas os menores de 16 anos, os cegos e os
surdos, quando a ciência do fato que se quer provar
dependa dos sentidos que lhes faltam, etc..
Alternativa correta: A.
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| Teste – 08 - As disposições
testamentárias e a interpretação da vontade
do morto. |
João institutiu como seus herdeiros: Mateus, seu
tio, Paulo, seu irmão. Maria, Augusta e Beatriz,
filhas de seu irmão Rodrigo e, ainda, Roberto e
Eduardo, filhos de sua irmão Salette. Sua herança
deverá ser dividida:
a) em 7 porções idênticas.
b) em 3 porções idênticas
c) em 4 porções idênticas,
pois as pessoas nomeadas coletivamente equiparam-se às
indicadas individualmente, visto que a divisão
da herança operar-se-á, em relação
a elas, por estirpe.
d) 2/7 para Paulo e Mateus; 3/7 para as filhas de Rodrigo
e 2/7 para os filhos de Salette.
Comentários
O presente teste exige do aluno um PROFUNDO CONHECIMENTO
DE DIREITO CIVIL. Isso porque a questão em debate
é o artigo 1905 do Código Civil de 2002
(CC/16, 1672).
O verbo instituir indica que se trata de SUCESSÃO
TESTAMENTÁRIA e não legítima, já
que se legítima fosse o verbo correto seria “deixou”.
Note-se: se o João nomeou os herdeiros por BLOCOS,
a herança não será dividida em partes
iguais. Tudo depende da forma como é feita a disposição
testamentária. Trata-se de interpretação
da vontade de João (testador). Pelo artigo 1905,
então, devemos dividir a herança em blocos
equivalentes: se o testador nomear certos herdeiros individualmente
e outros coletivamente, a herança será dividida
em tantas quotas quanto forem os indíviduos e os
grupos designados.
Se o testador dissesse o seguinte: deixo meus bens para
Mateus, Paulo, Maria, Augusta, Beatriz, Roberto e Eduardo,
a herança seria dividida em SETE partes.
Portanto, no caso em tela, a alternativa correta
é a C.
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| Teste 09 – Constituto possessório |
Se o transmitente de bem móvel, que possui em
nome próprio, passar a possuí-lo em nome
do adquirente, ter-se-á a aquisição
da propriedade mobiliária por
a) tradição real
b) tradição simbólica
c) traditio brevi manu
d) constituto possessório ou tradição
ficta.
Comentários:
O teste em questão vem se repetindo no exames
de ordem. A forma mais comum de aquisição
da posse é a tradição real na qual
o proprietário entrega a posse direta e indireta
da coisa vendida ao comprador. Exemplo clássico:
compro uma cadeira de João que a entrega na minha
casa.
Mas, há possibilidade de entrega ficta da posse
por meio do constituto possessório. João
vende seu carro para Pedro e na seqüência faz
um contrato de locação. João não
é mais proprietário do bem, mas continua
com a posse direta (como locatário), sendo a indireta
de Pedro.
Na tradição simbólica, a entrega
da coisa é traduzida por atitudes, gestos (ex:
entrega das chaves do imóvel)
A traditio brevi manu é diferente. Quem
possuía em nome alheio passa a possuir em nome
próprio. É o caso do inquilino que compra
o imóvel do proprietário, reunindo, então,
a posse direta e a indireta.
Alternativa correta: D.
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| Teste 10 – Rompimento do testamento |
Superveniência de filho adotivo:
a) não acarreta a revogação
de doação de imóvel anterior à
adoção, feita pelo adotante a terceiro
b) pode gerar redução de doação
vultosa feita pelo adotante,
c) não causa rompimento de testamento do adotante
feito antes da doação;
d) só causa rompimento de testamento feito posteriormente
à adoção, apenas se no ato de última
vontade houver a distribuição de imóveis
em legados.
Comentários
O rompimento do testamento ocorre quando surge um descendente
sucessível que o testador não tinha ou não
conhecia quando testou. Se o testador faz o testamento
e depois vem a adotar, o testamento está rompido
(como estaria se nascesse um filho consangüíneo
do testador).
Portanto, as alternativas “c” e “d”
estão equivocadas. No tocante às doações,
não se poderia cogitar em redução
ou nulidade, pois o momento em que se verifica a validade
da doação é o momento em que é
efetuada.
Se no momento em que é feita a doação
não existem herdeiros necessários, não
há que se falar em doação inoficiosa
e sua validade é inconteste.
Imaginemos uma doação realizada 20 anos
antes do nascimento ou da adoção de um filho
pelo doador. Seria ela nula 20 anos depois? A respostas
é não.
Portanto, a alternativa correta é a A.
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